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Iniciativas

MANIFesta MUNDO e os caminhos da interculturalidade

Decorreu em Lisboa o quarto e último acto da MANIfesta’10, denominado MANIFesta MUNDO. Dividiu-se por diversos espaços da zona de Santos, nos dias 29 e 30 de Dezembro, tendo como mote a diversidade étnica e cultural resultante dos sucessivos ciclos migratórios que a cidade de Lisboa conheceu ao longo da sua existência secular, e em particular aquela zona da capital, o que fez dela um lugar cosmopolita e de mestiçagem. Zona portuária, industrial e operária, por ali passaram e se fixaram judeus, árabes, africanos, galegos, minhotos e beirões, asiáticos, europeus, latino-americanos…, misturando crenças, saberes e sabores culinários, culturais, artísticos e ofícios vários.

Daí que, no dia 29 – dedicado principalmente aos debates –, na sessão de abertura da MANIfesta MUNDO, na Junta de Freguesia de Santos-o-Novo, Mário Alves (da entidade promotora local, a Etnia, e director da Animar) tivesse esclarecido que este não era um evento para imigrantes, mas sobre o que é viver em espaços interculturais; que nele se pretendia dar a palavra às pessoas comuns e não polas a ouvir “especialistas”; e que entendia a cultura não como algo exótico, mas como um aspecto central da vivência das gentes, capaz de potenciar o empreendedorismo e a luta diária pelas sobrevivências travada pelos que foram forçados pela vida a buscar novas paragens, e como tal a ser tido em conta nos painéis de discussão que se iriam seguir.

Em discussão estiveram:

- o Empreendedorismo  social em contextos interculturais, animado por Carlos Ribeiro. Os participantes começaram por registar o desaparecimento dos locais tradicionais de socialização nos bairros (tascas, colectividades, cafés, …), que está a ser acompanhado pelo aparecimento de novas formas, como as redes sociais, que acentuam o isolamento do indivíduo. Dicotomia (net/café de bairro) que não é necessariamente conflituante, na medida em que pode permitir outras formas de interacção e socialização.

Um segundo tema de reflexão que gerou animada discussão, em resultado de uma “provocação” lançada por um dos participantes, foi a de que o trabalhador social tem de ser um “agitador” de consciências, pois só assim poderá provocar mudanças. Não o sendo arrisca-se a ser um mero e acrítico executante de políticas e orientações ditadas pelos poderes instituídos;

- a Diversidade cultural, inclusão e inovação social, animado por Mário Alves e Hélder Costa, andou à volta da forma como cada um de nós convive com as diferenças e teve como ponto de partida a experiência dos núcleos de activistas político-culturais de portugueses junto dos emigrantes, nos anos 60 e 70, em França. Em particular a do Grupo de Teatro Operário, que utilizou o teatro como meio de consciencialização política e social.

- o Inter-associativismo, interculturalidade e parcerias locais para o desenvolvimento, painel animado por Eduardo Pereira Marques.

Como podem as comunidades evoluir para uma melhor convivência e qual o papel das juntas de freguesia, foi a questão colocada aos presentes, que referiram a crise que atravessa as diversas formas de associativismo, os constrangimentos financeiros, limitações de poder e diversidade de densidade geográfica das juntas como factores limitadores. Situação que não resulta de nenhum fatalismo ou praga divina, mas o resultado resultando da crescente desigualdade económica e da dependência das associações dos financiamentos governamentais. Dados estatísticos mostram que a degradação das condições de existência das populações é sempre acompanhada pelo esmorecimento, desinteresse e menor disponibilidade das pessoas relativamente aos movimentos colectivos e pelo crescimento do individualismo.

O dia terminou com a apresentação do Caderno Temático Gentes do Meu Bairro, no Centro InterculturaCidade. A publicação é constituída por um conjunto diversificado de entrevistas a residentes nos bairros populares de S.Bento, Santa Catarina e Madragoa, constituindo uma verdadeira amostra da sua diversidade e riqueza cultural, social e étnica, e de como as diferenças se podem harmonizar e conviver em paz.

O segundo dia começou com uma mostra de projectos e propostas, que foi fortemente prejudicada pelo mau tempo. Melhor correm as actividades de fim de tarde, como a oficina de Gastronomia do Nepal e a Exposição Fotográfica Cabo Verde – Um retrato Crioulo, de João Freire, no espaço InterculturaCidade; a homenagem a B. Léza, figura maior da música de Cabo Verde que residiu, nos anos 40, durante quatro anos na Rua da Paz, tendo sido descerrado um painel de Azulejos, da autoria de António Firmino, na fachada da casa onde morou. Antes houve uma tocatina em que foram recordadas algumas das canções de B. Léza.

A MANIFesta MUNDO terminou já noite com um animado concerto no Palácio Cabral (Espaço Santa Carina), pelo Colectivo Intercultural – Aldo Milá (Angola), Djoy Abu-Raya (Cabo Verde), Maio Copé (Guiné-Bissau), Rui Leandro (Portugal) e convidados.

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